Muito antes de "ultrapassar limites" virar jargão de marketing no K-pop, o f(x) já vinha, em silêncio, rasgando o manual de regras. Estreando pela SM Entertainment em 2009, o quinteto construiu um repertório de electropop ruidoso e experimentos de art-pop que a crítica ainda cita como à frente de seu tempo. Esta é a história de um grupo que valorizava o estranho e o inteligente — e fazia tudo isso soar incrivelmente cool.
Origens: Uma Aposta Experimental da SM
O f(x) estreou oficialmente em 1º de setembro de 2009 com o single digital "La Cha Ta", lançado pela SM Entertainment — a mesma gravadora por trás do Girls' Generation e do Super Junior. Desde o início, o f(x) foi enquadrado como algo diferente: enquanto muitos de seus contemporâneos apostavam em uma fofura uniforme ou em uma elegância refinada, o f(x) foi posicionado como um projeto experimental de dance-pop construído em torno do contraste e da individualidade.
A formação reunia cinco personalidades distintas:
- Victoria — a líder, uma integrante chinesa conhecida como a dançarina do grupo, descoberta em uma competição de dança em Pequim.
- Amber — a rapper, selecionada nas audições globais da SM em Los Angeles, que se tornou um dos ícones andróginos mais reconhecíveis do K-pop.
- Luna — amplamente considerada a potência vocal do grupo.
- Krystal — vocalista e irmã mais nova da Jessica, do Girls' Generation, descoberta pela SM ainda criança.
- Sulli — ex-atriz mirim que cuidava dos vocais antes de deixar o grupo em agosto de 2015.
Essa mistura de nacionalidades, uma identidade visual de fluidez de gênero e um som deliberadamente fora do padrão fizeram do f(x) um projeto de declaração desde o primeiro dia.
A Ascensão: Do Burburinho de Estreantes ao Poder nas Paradas
O f(x) passou rapidamente de curiosidade a força comercial. Seu EP de 2010, Nu ABO, e sua faixa-título se tornaram uma de suas primeiras marcas, liderando a Gaon Digital Chart da Coreia do Sul e firmando o apetite do grupo por refrões nada convencionais e produções angulosas.
Em 2011, seu primeiro álbum de estúdio completo, Pinocchio, trouxe o single principal "Pinocchio (Danger)", seguido ainda naquele ano pelo hino de verão de alta energia "Hot Summer". O auge do impulso veio em 2012 com "Electric Shock", um EP e faixa-título que se tornou um de seus lançamentos mais icônicos — uma chiclete de synth elegante que capturou exatamente o que fazia o f(x) funcionar: cativante o suficiente para o mainstream, estranho o suficiente para se destacar.
A essa altura, o f(x) já havia provado que um grupo "experimental" também podia ser uma máquina de hits, acumulando singles número um sem deixar de manter um som inconfundivelmente próprio.
Trabalho Marcante: Pink Tape e o Auge do f(x)
Se um lançamento define a reputação artística do f(x), é seu segundo álbum de estúdio, Pink Tape (2013). Liderado pelo single brincalhão e hipnótico "Rum Pum Pum Pum", o álbum foi elogiado internacionalmente por sua coesão e ousadia. Notavelmente, foi o único álbum de K-pop incluído na lista dos 41 Melhores Álbuns de 2013 do canal de música americano Fuse — um raro reconhecimento de crossover na época.
O f(x) também abriu novos caminhos no cenário global. Em março de 2013, tornaram-se um dos primeiros artistas de K-pop a se apresentar no SXSW em Austin, no Texas, sinalizando o crescente interesse ocidental pelo gênero anos antes de sua explosão no mainstream.
Eles seguiram em frente com a sombria e eletrônica "Red Light" (2014) e a sofisticada "4 Walls" (2015), tingida de deep-house — esta última amplamente considerada uma das faixas-título mais maduras e visionárias do K-pop de sua era.
Som e Identidade: Por que "Experimental" Combinava
O rótulo de "experimental" não era apenas estratégia de marca. A discografia do f(x) buscava de forma consistente sons que outros grupos evitavam — synths ruidosos, estruturas de música incomuns, influências de electro e house, e letras que muitas vezes abraçavam o abstrato em vez do literal.
- Foco na produção: Faixas como "Electric Shock" e "4 Walls" priorizavam textura e groove, não apenas um único refrão para cantar junto.
- Ousadia visual: O estilo andrógino de Amber desafiava as expectativas restritas de como um girl group de K-pop "deveria" se parecer.
- Profundidade dos álbuns: O Pink Tape, em particular, recompensava os fãs que ouviam além dos singles, conquistando um respeito da crítica que muitos álbuns de ídolos da época não obtiveram.
O resultado foi um grupo que fãs internacionais e críticos de música costumam descrever como um "favorito dos músicos" — admirado por quem desejava que o K-pop assumisse mais riscos.
Legado: O Modelo para os Audaciosos do K-pop
As atividades em grupo do f(x) foram diminuindo após 4 Walls (2015) e a saída de Sulli, com as integrantes migrando para a música solo, a atuação e outros projetos. A trágica perda de Sulli em 2019 permanece um momento profundamente sentido por fãs no mundo todo.
Ainda assim, sua influência só cresceu. À medida que o K-pop se expandiu globalmente, o f(x) passou a ser cada vez mais reconhecido como pioneiro — o grupo que provou que um pop experimental, de pendor artístico, podia prosperar dentro do sistema de ídolos. Em 2017, a Billboard os colocou entre os melhores girl groups de K-pop da década.
Para muitos ouvintes internacionais, o f(x) é uma porta de entrada para o lado mais aventureiro do K-pop: um lembrete de que alguns dos trabalhos mais duradouros do gênero vieram de um grupo que nunca teve medo de soar um pouco estranho — e que fazia o estranho soar brilhante.
❓ FAQ
Quando o f(x) estreou e por qual agência?
O f(x) estreou em 1º de setembro de 2009 pela SM Entertainment, lançando o single digital "La Cha Ta". Desde o início, foram posicionadas como um girl group experimental, de pendor electropop.
Quem eram as integrantes do f(x)?
O f(x) era formado por Victoria (líder, dançarina), Amber (rapper), Luna (vocalista), Krystal (vocalista) e Sulli (vocalista). Sulli deixou o grupo em agosto de 2015, após o que as quatro restantes seguiram em frente.
Quais são as músicas e álbuns mais famosos do f(x)?
Entre as músicas marcantes estão "Nu ABO", "Electric Shock", "Rum Pum Pum Pum", "Red Light" e "4 Walls". Seu segundo álbum de estúdio, Pink Tape (2013), é seu lançamento mais aclamado pela crítica e foi o único álbum de K-pop na lista dos 41 Melhores Álbuns de 2013 da Fuse.
Por que o f(x) é considerado um grupo experimental?
O f(x) abraçou de forma consistente uma produção de electropop e art-pop nada convencional, estruturas de música incomuns e uma identidade visual ousada — incluindo o estilo andrógino de Amber. Álbuns como o Pink Tape renderam elogios da crítica por sua ousadia, e o grupo é frequentemente creditado por mostrar que um pop audacioso podia ter sucesso dentro do sistema de ídolos do K-pop.