A quarta geração do K-pop chegou já falando com o mundo. Onde os grupos anteriores tinham primeiro de conquistar a Coreia para depois exportar, grupos como Stray Kids, aespa, IVE e NewJeans foram construídos, desde o seu primeiríssimo comeback, para um público sem fronteiras e movido por algoritmos. Esta é a era da viralização no TikTok, dos avatares virtuais, dos idols autoprodutores e de grupos novatos liderando paradas nos Estados Unidos e na Europa em um ou dois anos após a estreia. Veja como o fim dos anos 2010 remodelou o K-pop em um movimento pop genuinamente global — e quem o definiu.
🌍 O Que Define a Quarta Geração?
Não existe um comitê oficial que carimbe uma "geração" do K-pop, então as fronteiras são uma questão de amplo consenso entre fãs e a indústria, e não um fato rígido. A maioria dos observadores situa a quarta geração mais ou menos de 2018 a cerca de 2022 a 2023, seguindo a terceira geração que BTS, BLACKPINK, TWICE e EXO definiram. A passagem de bastão foi gradual, e você encontrará pessoas razoáveis que traçam as linhas de forma ligeiramente diferente.
O que claramente diferencia a era é seu pressuposto de partida: esses grupos foram globais desde a estreia, não localizados primeiro para exportar depois. Vários traços compartilhados aparecem repetidamente:
- Estratégia hiperglobal — formações multinacionais, lançamentos de conteúdo legendado no dia um e marketing voltado aos fandoms internacionais como público primário, e não como pensamento secundário.
- Viralização em formato curto e nas redes — "point moves" de coreografia e ganchos pensados para se espalhar no TikTok, no YouTube Shorts e no Reels.
- Construção de universo orientada a conceitos — narrativas elaboradas, alter egos e até avatares virtuais entrelaçados entre álbuns e videoclipes.
- Sucesso mais rápido no Ocidente — entradas nas paradas da Billboard, turnês nos EUA e na Europa e burburinho em grandes premiações chegando cedo na carreira de um grupo, em vez de anos depois.
🚀 Os Desbravadores: 2018 a 2019
As estreias definidoras mais antigas da era vieram de grupos que fundiram performance intensa com expressão artística autodirigida. O Stray Kids (JYP Entertainment, 2018) surgiu de um formato de reality de sobrevivência e apostou pesado na autoprodução por meio de sua unidade interna, construindo um som ruidoso e maximalista e um fandom global devotado; eles mais tarde levariam vários álbuns ao topo da Billboard 200 dos EUA. O ATEEZ (KQ Entertainment, 2018) combinou conceitos cinematográficos com toques de pirata a um show ao vivo implacável, crescendo até se tornar um dos grupos mais fortes da era em turnês e paradas no Ocidente quase inteiramente pelo impulso dos fãs.
No lado autoprodutor, o (G)I-DLE (Cube Entertainment, 2018) se destacou pelo papel central da integrante Soyeon na composição e na produção, dando ao grupo uma identidade criativa incomumente distinta e hits que ressoaram pelo mundo.
Em 2019, duas estreias ligadas à HYBE e à JYP ampliaram o campo. O Tomorrow X Together (frequentemente estilizado TXT), o primeiro grupo masculino da BigHit desde o BTS (agora sob o guarda-chuva da HYBE), estreou em 2019 com uma narrativa de amadurecimento, a "infância/juventude". No mesmo ano, o ITZY, da JYP, chegou com um conceito confiante de "teen crush" e amor-próprio e com tração doméstica e internacional imediata.
🤖 Mundos Virtuais e Inovação de Conceito: aespa e ENHYPEN
Se uma estreia cristalizou o apetite da geração pela construção de universo, foi a do aespa (SM Entertainment, 2020). O grupo de quatro integrantes foi lançado com uma premissa marcante: cada integrante humana é emparelhada com uma contraparte avatar virtual, com enredos se desenrolando em um reino digital que a SM batizou de KWANGYA. Era o K-pop mergulhando de cabeça em uma narrativa estilo metaverso, em um momento em que a indústria experimentava o quão longe os conceitos virtuais podiam ir, e o som afiado e futurista do aespa fez o artifício colar.
No mesmo ano, o ENHYPEN estreou pela Belift Lab, uma label ligada à HYBE, depois de se formar no programa de sobrevivência I-LAND. O grupo construiu uma mitologia de inspiração vampiresca ao longo de seus lançamentos e rapidamente se tornou um dos grupos masculinos mais bem-sucedidos comercialmente da era, com fortes vendas de álbuns e uma base de fãs global em rápido crescimento. Juntos, aespa e ENHYPEN mostraram como os grupos da quarta geração podiam transformar o lançamento de um álbum em um universo ficcional em desenvolvimento.
📈 A Onda de 2021 a 2022: IVE, NewJeans e LE SSERAFIM
A segunda metade da era entregou algumas das histórias de estouro mais imediatas do K-pop. O IVE (Starship Entertainment, 2021) estreou com uma sensibilidade pop polida e autoconfiante — e com integrantes como Wonyoung e Yujin, que já eram conhecidas do grupo de projeto IZ*ONE —, emplacando grandes hits e um rápido reconhecimento no mainstream.
O ano de 2022 trouxe duas estreias que redefiniram as expectativas sobre a rapidez com que um grupo novato podia ter relevância global. O NewJeans (ADOR, uma label sob o guarda-chuva da HYBE) chegou quase sem aviso, lançando músicas e vídeos antes de apresentações formais, e seu som leve, com toques de Y2K, fez deles um fenômeno quase instantâneo, com músicas como "Attention" e "Hype Boy". Sua estética discreta e antenada às tendências se tornou um dos estilos mais imitados do período.
Também em 2022, o LE SSERAFIM estreou pela Source Music (também dentro da família HYBE) com um conceito destemido de empoderamento; a formação incluía integrantes vistas antes no IZ*ONE. O grupo rapidamente entrou em paradas internacionais e fez turnês pelo mundo, completando uma classe notavelmente profunda de grupos femininos da quarta geração.
📱 TikTok, Turnês e o Estouro no Ocidente
O que verdadeiramente separou essa geração de suas antecessoras foi a velocidade e a escala do alcance global. O vídeo em formato curto transformou ganchos de coreografia e refrões grudentos em tendências mundiais da noite para o dia, permitindo que os grupos encontrassem públicos em mercados nos quais suas empresas nunca haviam feito promoção formal.
Os resultados apareceram nas paradas e na estrada. Vários grupos da quarta geração registraram altas posições na Billboard 200 cedo na carreira — o Stray Kids, em particular, alcançou o 1º lugar dessa parada de álbuns várias vezes — enquanto ATEEZ, TXT, ENHYPEN e outros montaram ambiciosas turnês mundiais em escala de arenas e estádios, lotando locais na América do Norte, na Europa, na América Latina e na Ásia. Premiações musicais internacionais e convites para festivais que antes pareciam inalcançáveis para grupos novatos de K-pop se tornaram alvos realistas em poucos anos após a estreia.
Esta foi também a era em que a infraestrutura do K-pop amadureceu em torno dos fãs: legendas no mesmo dia, aplicativos dedicados de plataformas de fãs e calendários de conteúdo pensados para manter uma comunidade global engajada entre os comebacks.
🔮 Legado e o Debate da "Quinta Geração"
À medida que os anos 2020 avançavam, os fãs começaram a debater se uma quinta geração teria começado — apontando, em geral, para grupos que estrearam a partir de cerca de 2023. Esse rótulo é genuinamente contestado. Como as gerações são um enquadramento informal e retrospectivo, e não uma designação oficial, não há acordo estabelecido sobre exatamente quando a quarta geração terminou ou a quinta começou, e alguns argumentam que a distinção é mais uma conveniência de marketing do que uma verdadeira ruptura estilística.
O que não está em disputa é o impacto da quarta geração. Ela normalizou a ideia de que um grupo de pop coreano podia ser um grupo global desde o primeiro dia, tornou os idols autoprodutores e a construção elaborada de universo algo padrão, e não inovador, e provou que a viralização em formato curto podia rivalizar com a promoção tradicional. Os grupos deste guia — Stray Kids, ATEEZ, TXT, ITZY, (G)I-DLE, aespa, ENHYPEN, IVE, NewJeans e LE SSERAFIM — coletivamente transformaram o K-pop em um dos movimentos pop definidores de seu tempo.
❓ FAQ
Quais anos contam como a quarta geração do K-pop?
Não há um corte oficial, mas a maioria dos fãs e observadores da indústria situa a quarta geração mais ou menos de 2018 a cerca de 2022 a 2023. As fronteiras são informais e debatidas, então você verá datas ligeiramente diferentes dependendo da fonte. Ela veio depois da terceira geração definida por BTS, BLACKPINK, TWICE e EXO.
Quais grupos são considerados K-pop da quarta geração?
Entre os grupos da quarta geração amplamente citados estão Stray Kids (estreou em 2018), ATEEZ (2018), (G)I-DLE (2018), Tomorrow X Together / TXT (2019), ITZY (2019), aespa (2020), ENHYPEN (2020), IVE (2021), NewJeans (2022) e LE SSERAFIM (2022). Muitos outros grupos também pertencem à era; estes estão entre os mais proeminentes e bem-sucedidos globalmente.
O que torna o K-pop da quarta geração diferente das gerações anteriores?
A maior diferença é que esses grupos foram construídos para serem globais desde a estreia, em vez de localizados primeiro e exportados depois. A era é marcada pela viralização movida pelo TikTok, pela construção elaborada de universo de conceitos (incluindo os avatares virtuais do aespa), por idols autoprodutores como a Soyeon do (G)I-DLE e por um sucesso incomumente rápido nas paradas e turnês ocidentais.
O aespa realmente está ligado a avatares virtuais?
Sim. O aespa, que estreou pela SM Entertainment em 2020, foi lançado com um conceito no qual cada integrante humana é emparelhada com uma contraparte avatar virtual, com enredos ambientados em um mundo digital que a SM chamou de KWANGYA. É um dos exemplos mais claros do apetite da geração pela construção de universo estilo metaverso.
A quinta geração do K-pop já começou?
É debatido. Alguns fãs usam "quinta geração" para grupos que estrearam a partir de cerca de 2023, mas, como as gerações do K-pop são um enquadramento informal e retrospectivo, sem definição oficial, não há consenso firme sobre quando a quarta geração terminou ou a quinta começou.